História

História.

O Tai Chi Chuan tem as suas raízes no Taoismo. O Taoismo é muito difícil de definir, pois ele é simultaneamente místico, filosófico e transcendental. Este conhecimento tradicional chinês, apesar de ter cerca de cinco mil anos de idade,  não teve qualquer documento escrito até ao sec. III A.C. Só nessa altura é que Lao Tse escreveu o "Tao Té King", que traduzindo significa “O caminho da virtude”. Este livro é o que hoje nos fornece os princípios fundamentais desta “arte de viver”.  Mesmo assim, devido às muitas traduções existentes, e ao estilo altamente metafórico, esta obra é de compreensão difícil para uma mente ocidental.

O Taoismo estava presente em tudo na vida: na agricultura, nos negócios, nos discursos, na guerra, na sociedade e nas artes. A partir do séc. VI depois de Cristo, o budismo indiano começou a difundir-se pela China.

Ao contrário da civilização ocidental, na qual as correntes místicas e filosóficas normalmente não se dão bem entre si, o Budismo e o Taoismo foram-se fundindo. Nesta fusão foi gerado o Budismo Chan, que mais tarde migrou para o Japão. A mística neste país era dominada pelo Xintoísmo. O Budismo Chan, ao chegar aí, absorveu parte da tradição local, tendo dado origem ao Zen Budismo.

Hoje em dia está muito na moda falar-se de decoração Zen, meditação Zen, massagem Zen, jardins Zen, estilo de vida Zen, enfim, um tudo Zen. Infelizmente o marketing aproveita essa tendência, para vender os seus produtos e serviços. No entanto, raramente o público é conhecedor daquilo que o Zen representa. E pior que isso, os próprios promotores, terapeutas e criadores de produtos e conceitos, amiúde, não têm ideia que o “zenismo” é uma fusão de várias culturas orientais, desde a Índia ao Japão, passando pela China, Tibete e Nepal.

O Budismo Chan teve origem no mosteiro Shaolin, na montanha de Songshan, mais propriamente no monte Song, no nordeste da China.  Não pode ser caraterizado nem como religião nem como filosofia. É uma maneira de viver, que leva a um equilíbrio integral e a um desenvolvimento pacífico da natureza humana.

Devido aos ataques constantes ao mosteiro de Shaolin, por parte de saqueadores, houve necessidade dos monges de criarem uma forma de autodefesa.  Foi essa necessidade que fez com que os Mestres desenvolvessem uma arte marcial chamada Kung Fu.

O Kung Fu é tão perfeito, que para além de ter servido como forma de autodefesa, foi também uma poderosa ferramenta de desenvolvimento espiritual e físico para os monges.

Os monges passavam parte do seu tempo, observando o fluir dos rios, os movimentos das árvores, a perspicácia dos tigres caçando, os louva-a-deus, os macacos, as serpentes, etc.  Inspirados nessa observação da harmonia dos ritmos naturais, criaram todos os movimentos do Kung Fu.

Mas a perfeição do Kung Fu não fica por aí. Os monges observaram que se praticassem os movimentos de Kung Fu de forma lenta, podiam aceder a um estado de “meditação em movimento” que cria uma  harmonia interna entre corpo, psique e espírito. Foi daí que nasceu o Tai Chi Chuan.

Portanto, o Tai Chi Chuan é uma forma de Kung Fu desprovido da sua marcialidade, mantendo, no entanto, a sua essência transcendental.

Além disso, o Tai Chi Chuan incorpora a antiga arte de manipulação da energia, que já existia na China como parte do Taoismo, o Chi Kung (Qui Gong).

Pode dizer-se que o Chi Kung é semelhante ao atual Reiki japonês, contudo, numa versão mais antiga e chinesa. Apesar de não haver provas físicas que o sustentem, o autor deste texto crê que tanto o Reiki japonês, como o Chi Kung, o Reiki Essénio, bem como outras técnicas menos conhecidas de cura com as mãos, têm origem naquilo que hoje se chama, de “Reiki Tibetano”.

Portanto, quem está a praticar Tai Chi Chuan, pratica inerentemente Kung Fu na sua versão de “punho leve” e Chi Kung, que é essa técnica de manipulação das energias do Chi com vista à cura.